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Dor de ouvido em adulto: otite, pressão ou problema na mandíbula?

Dor de ouvido em adulto pode ser otite, pressão na trompa de Eustáquio ou dor referida da mandíbula. Veja como diferenciar cada causa.

Dor de ouvido em adulto nem sempre é otite. Essa é a primeira confusão que gera diagnóstico errado em casa: quem sente a dor de ouvido logo pensa em infecção, toma remédio por conta própria e a dor volta em uma semana porque a causa era outra. Existem pelo menos três origens comuns e elas pedem avaliações diferentes.

Otite em adulto: como reconhecer

Otite é inflamação ou infecção no ouvido, e pode ser externa (no canal auditivo, ligada a água ou trauma por cotonete) ou média (atrás do tímpano, geralmente associada a resfriado ou sinusite mal resolvida).

Sinais que apontam para otite:

  • dor que aumenta ao puxar a orelha ou mastigar (mais típico da otite externa)
  • sensação de ouvido tampado junto com febre baixa ou secreção
  • dor que começou dias depois de um resfriado ou gripe
  • em alguns casos, zumbido ou diminuição temporária da audição

Otite em adulto é menos frequente do que em criança, porque a trompa de Eustáquio do adulto é mais longa e drena melhor. Quando aparece, costuma estar ligada a alguma condição de base: sinusite, alergia respiratória não tratada, ou exposição repetida à água (surfista, nadador). Isso não significa que toda dor com esse padrão seja otite — só que esse é o conjunto de sintomas que justifica procurar avaliação para confirmar.

Ouvido tampado: pressão, cera ou trompa de Eustáquio

Ouvido tampado sem dor forte, ou com dor leve e sensação de “abafado”, tem outro grupo de causas:

  • Cera acumulada (cerume) — sensação de tampão, às vezes com leve perda auditiva, sem febre e sem dor pulsátil.
  • Disfunção da trompa de Eustáquio — a trompa que liga o ouvido médio à garganta não equaliza bem a pressão. Comum em quem tem rinite, sinusite ou congestão nasal ativa. A sensação piora ao voar, mergulhar ou subir serra.
  • Alteração de pressão barométrica — decolagem, pouso, mudança de altitude. Some sozinha na maioria das vezes, mas em quem já tem inflamação nasal pode persistir por dias.

A diferença prática: cerume dá sensação de tampão constante, que não muda com bocejo. Disfunção de trompa costuma melhorar um pouco ao bocejar, engolir ou fazer manobra de equalização, e piora com nariz entupido. Se o ouvido tampado vem sempre junto com coriza ou nariz obstruído, a origem provavelmente é nasal, não auricular — e tratar só o ouvido não resolve.

Quando a dor vem da mandíbula

Esse é o ponto que mais gente ignora. A articulação temporomandibular (ATM) fica a poucos centímetros do canal auditivo, e dor nessa articulação é frequentemente sentida dentro do ouvido, não na mandíbula.

Suspeite de origem na ATM quando:

  • a dor piora ao mastigar, bocejar ou apertar os dentes
  • há estalo ou travamento ao abrir a boca
  • a dor é mais forte pela manhã (indício de bruxismo noturno)
  • exame de ouvido está normal, sem secreção, sem tímpano alterado, mas a dor continua

Esse tipo de dor não é tratado com antibiótico nem com nada direcionado ao ouvido, porque o ouvido não é o problema — é só onde a dor é percebida. A avaliação nesse caso costuma envolver também exame da articulação e, dependendo do achado, indicação para acompanhamento odontológico específico de ATM.

Sinais de alerta e quando procurar avaliação

Alguns sinais indicam que a dor de ouvido em adulto não deve esperar:

  • febre alta associada
  • secreção com sangue ou pus
  • perda auditiva súbita
  • dor muito intensa de início abrupto
  • dor que não melhora em poucos dias, independente da causa suspeita

Como as três origens — otite, alteração de pressão/trompa e dor referida de ATM — têm sintomas que se parecem à distância, autodiagnóstico costuma errar o alvo. O exame de ouvido (otoscopia), associado à história do paciente, é o que diferencia uma causa da outra. A resposta a qualquer tratamento varia de pessoa para pessoa e depende da avaliação presencial, então o que funciona para um caso de otite não necessariamente serve para disfunção de trompa ou dor de ATM.

Se a dor de ouvido persiste, vem com ouvido tampado sem explicação clara, ou piora ao mastigar, o caminho é avaliação otorrinolaringológica para identificar a origem antes de qualquer conduta.

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Dr. Fellipe Cunha — CRM-GO 16.147 · RQE 11

otorrino · otite · dor de ouvido · saude auditiva · ATM